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Arrozeiros da Fronteira Oeste se reúnem para discutir a crise

Arrozeiros reunidos em Alegrete

13138874_1064063203672427_2185841315467628097_nEm reunião em Alegrete, na ultima segunda (09/05/2016), com cerca de 100 participantes, onde, além de produtores, diversos empresários atuantes em outros setores da cadeia produtiva estiveram presentes, discutiram durante quase 3 horas, os problemas, entraves e os possíveis encaminhamentos de soluções para os graves problemas que começam a assolar os arrozeiros do município e região, ante a falta de produtividade decorrente do fenômeno climático “el nino”, onde já são levantadas perdas de mais de 25% nas lavouras, e consequente diminuição de produto com perda de renda, agravado pelo preço atual do saco de arroz, da safra realizada, estar abaixo do custo de produção. Foram discutidos o forte impacto que esses fatores juntos terão na capacidade de pagamento e de refinanciamento dos produtores para a lavoura da próxima safra, e que, fatalmente, acarretará em uma diminuição de área plantada para a próxima safra, colocando em risco o abastecimento de arroz do país para 2017, devido a tamanha redução na produção de arroz nessa safra, os baixos estoques de passagem no Mercosul e o preço e qualidade do arroz importado de fora do bloco.

13102904_1064059160339498_6011713173052845614_nOutro viés colocado na reunião foi o agravamento da crise econômica na comunidade como um todo, pois estima-se que, apenas em perdas diretas, deixarão de circular na economia do município mais de R$ 100 milhões, fora o impacto provocado na arrecadação de impostos pelo município, devido a não circulação desse montante de dinheiro, agravando ainda mais a perda de arrecadação já tão diminuída pela atual crise econômica, com consequências na saúde, educação, emprego e bem estar da população da cidade.

Durante o encontro, que contou com a participação do presidente da Federarroz, Henrique Dorneles, foram dispostos pontos de vistas de lideranças setoriais do município, de produtores e demais participantes de diversos setores ligados ao arroz e as ações realizadas no decorrer desse ano e negociações em curso pela Federarroz. Problemas com altos custos, perdas de áreas plantadas e custos de reimplante, dificuldade de acesso ao financiamento agrícola, excesso de seguros acessórios nas garantias dos financiamentos e renegociações, seguros agrícolas sendo pagos através da quitação de parcelas de custeio ainda não vencidas, as dificuldades iminentes no pagamento dos fornecedores e de parcelas renegociadas no passado com vencimento no fim de maio, a necessidade de alongamento das parcelas do custeio agrícola, a não reação do preço do arroz e o futuro agravamento da crise que já assola o comercio e os serviços de Alegrete foram temas debatidos na reunião. Onde, também, foi exposto, como outro grande problema atual, a falta de um interlocutor no governo federal que possa receber e dar andamento aos pleitos dos produtores e do setor, devido a indefinição política atual.

1452016116824Foram encaminhados ao presidente da Federarroz, como pleitos de urgência, a necessidade de se postergar o vencimento da parcela das dividas renegociadas com vencimento no primeiro semestre deste ano e a verificação do pagamento das perdas do seguro agrícola com abate das parcelas ainda não vencidas do custeio agrícola. Também, o grupo decidiu por aguardar um melhor aclaramento da situação política e o resultado das negociações, em curso pela Federarroz, de alongamento das dividas de custeio e investimento a vencer no 2º semestre do ano, para a tomada de decisão da classe de forma a assegura que o produtor possa ter renda para ampliar a produção de arroz da próxima safra, não só para a sua sobrevivência na atividade, mas também, para garantir o abastecimento interno em 2017 e o ajudar no reaquecimento da economia do município e região.

Como recomendações finais, foi orientado aos produtores que busquem as linhas de financiamento bancário e particular ainda possíveis, para manter em dia, ou renegociar, os pagamentos aos bancos e fornecedores, procurando reter o arroz, de forma a aguardar a melhora de preços e o desencadeamento das negociações para o alongamento de dívidas, sob pena de, ante as altas perdas de produtividade e o preço do saco de arroz abaixo dos custos de produção, não terem produto suficiente para quitar suas dividas decorrentes da lavoura realizada nessa safra.