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PRODUÇÃO

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Mesmo conhecendo as características nutricionais do arroz, e quais tipos de processamento ele pode ser submetido, as diferenças que estes provocam nos produtos obtidos, também é importante conhecermos um pouco sobre a produção do arroz, o que acontece antes deste cereal chegar à indústria para ser beneficiado.

O arroz, uma gramínea do gênero Oryza, é um dos principais cereais do mundo, cultivado por cerca de 100 nações. Na maioria dos casos, quase toda a produção é destinada ao consumo interno destes países.
Esta gramínea cresce nas mais variadas condições: de 50° de latitude norte a 40° de latitude sul, e em altitudes inferiores ao nível do mar ou superiores a 3.000 metros. Existem duas espécies cultivadas, o Oryza sativa, muito comum nas zonas tropicais e temperadas, e o Oryza glaberrima, originário da África ocidental.
Seu cultivo teve início há mais de 7 mil anos, no continente asiático. No Brasil, a orizicultura iniciou em meados do século XVIII. Atualmente, o arroz brasileiro é cultivo em dois ecossistemas diferentes.

Terras Altas

arroz de terras altas (sequeiro) como o próprio nome diz, é cultivado em terras altas ou um tanto enxutas. No Brasil, ele tem sido cultivado em áreas de pastagens degradadas pois, tem boa tolerância a solos ácidos, sendo usado como meio de recuperação desses solos.
Historicamente, o arroz sequeiro apresenta baixos níveis de produtividade e, sobretudo, qualidade dos grãos inferior aos produzidos pelo processo irrigado, o que, geralmente, não agrada o consumidor. Por isso, pesquisas recentes procuram produzir sementes para o cultivo de terras altas altamente produtivas e com qualidade de grão tão boa quanto a do arroz irrigado.
Atualmente, 13% dos campos de arroz do mundo cultivam esse tipo de arroz entretanto, representam apenas 4-5% da produção total mundial. Cerca de 20% do arroz de sequeiro do mundo é cultivado na América Latina.
No Brasil, esse tipo de cultura, concentra-se na Região de Cerrado e, apesar de ocupar cerca de 64% da área cultivada, responde por apenas 39% da produção nacional. Diferentemente do arroz irrigado que, ocupando apenas 40% da área cultivada é responsável por aproximadamente 60% da produção nacional.

Várzea

O arroz é uma gramínea adaptada ao meio ambiente aquático. Esta adaptação é possível devido à presença de um tecido no colmo da planta, chamado arênquima. Ele possibilita a passagem do oxigênio do ar para a camada da rizosfera (sistema radicular).
Graças a estas características é possível o plantio no ecossistema de várzeas (irrigado).
Sendo a cultura predominante no Brasil, tendo como principal produtor o estado do Rio Grande do Sul.
Neste sistema predomina o cultivo com irrigação controlada, onde a cultura é realizada em várzeas sistematizadas, com semeadura feita em solo seco e a água aplicada na forma de banhos, até o início do perfilhamento, quando entra definitivamente nas quadras. Também pode ser realizado sob sistema de várzea úmida, sem controle de irrigação, o que normalmente é realizado por pequenos produtores.
Predominante em cerca de 40% da área total de cultura no Brasil, forneceu 60% da produção nacional, o que deve-se ao seu alto nível de produtividade, em torno de 5,5 t/ha (dados da safra de 98/99).

Cultivares
As cultivares de arroz irrigado normalmente são classificadas em três tipos, conforme as características fenotípicas da planta.
Tipo Tradicional
As plantas pertencentes a este grupo apresentam características como porte alto, folhas longas e decumbentes, além de serem menos exigentes em relação ao seu cultivo (maior rusticidade). Os grãos podem ser curtos, médios ou longos (com casca pilosa ou não) apresentando secção transversal de forma elíptica e de aceitação apenas em algumas regiões do país. O ciclo biológico deste grupo é médio ou semi-tardio, com baixa capacidade de perfilhamento e boa resistência a doenças secundárias. As plantas deste grupo possuem elevada capacidade de competição com plantas daninhas entretanto, apresentam susceptibilidade ao acamamento sob condições de elevada fertilidade natural ou quando recebem altas doses de adubos nitrogenados.
Tipo Intermediário
As características deste grupo são baixa capacidade de afilhamento e vigor inicial, o que pode trazer problemas para a lavoura, principalmente quando a temperatura do solo é baixa. Por isso são mais exigentes que as plantas do grupo anterior quanto ao preparo do solo, controle de plantas daninhas e adubação do solo. As plantas deste grupo apresentam porte médio, com folhas curtas, estreitas, semi-eretas e lisas. Os grãos são longos, finos e cilíndricos, apresentando excelente qualidade culinária e grande aceitação no mercado nacional e internacional. É uma cultivar precoce, podendo ser semeada tardiamente.
Tipo Moderno
São plantas de porte baixo, folhas curtas e eretas, pilosas ou lisas. Apresentam colmos curtos e fortes, alta capacidade de perfilhamento e elevado potencial produtivo. Exigem rígido controle quanto o preparo e nivelamento do solo e controle de plantas daninhas. Devido à estrutura das plantas, respondem em produção a níveis mais altos de nitrogênio do que os cultivares dos demais grupos. O ciclo biológico vai de precoce a tardio na maioria dos cultivares deste grupo. Os grãos são do tipo “patna” (longos, finos e cilíndricos), de casca pilosa ou lisa.

Plantas Daninhas
O rendimento da lavoura de arroz irrigado pode ser reduzido pela presença de plantas invasoras. Além de aumentar o custo da produção, as plantas daninhas são responsáveis pelo aumento da umidade dos grãos na colheita e pela redução no rendimento classificatório destes, agindo também como hospedeiras de doenças e pragas.
Na hora de iniciar o plantio, é necessário um controle das plantas daninhas, pois elas competirão com o arroz por fertilizante, luz e gás carbônico, prejudicando o desenvolvimento da lavoura. É importante lembrar que a maior ou menor infestação está diretamente ligada ao sistema de plantio e ao controle realizado nas plantações anteriores.
Existem diferentes plantas invasoras que podem estar presentes na lavoura de arroz, variando conforme a região de plantio e manejo utilizado.
Algumas espécies são predominantes, como o capim arroz e o arroz vermelho, há também, espécies que não são limitantes de produtividade, o que não exclui a necessidade de controle, para que não sejam motivo de preocupação na formação de pastagens de má qualidade ou até mesmo na lavoura, quando do retorno à área em questão.

   

Capim Arroz………………………………………………………………………………Arroz Vermelho

Semeadura
O arroz irrigado é completamente dependente da radiação solar e temperatura do ambiente, sendo estas os fatores que exercem os maiores efeitos na variabilidade de crescimento e desenvolvimento da cultura, tendo como limitantes temperaturas maiores que 40 °C e menores que 16 °C.
As épocas de semeadura variam em função das regiões do país, bem como do ciclo das cultivares. Recomenda-se que a semeadura seja iniciada do decêndio em que a temperatura média do solo desnudo, a 5 cm de profundidade, for maior ou igual a 20 °C (correspondente a 17,5 °C de temperatura ambiente), esse valor representa o limite inferior da temperatura ótima.
A densidade de semeadura varia em função da cultivar utilizada, tipos de solos, sistemas de cultivo, bem como da qualidade das sementes e do seu poder germinativo. Os cultivares modernos necessitam de quantidades menores de semente, pois possuem alta capacidade de afilhamento. No que diz respeito à época e semeadura, pode-se afirmar que as semeaduras do cedo requerem maior quantidade de sementes devido à baixa temperatura do solo. O controle da densidade de semeadura é importante porque é ela que define se haverá, ou não, uma boa circulação de ar entre as plantas. Se esta ocorrer, promoverá um adequado estado fitossanitário e uma boa fertilização das panículas. Já uma semeadura muito densa, resulta em colmos mais frágeis, sujeitos ao acamamento.
Com uma correta densidade na semeadura, o arroz desenvolverá o seu máximo potencial produtivo e ficará livre de doenças e pragas indesejáveis.

Sistemas de cultivo 
Os principais sistemas de cultivo de arroz irrigado são o sistema convencional, plantio direto, pré-germinado e transplante de mudas.

Convencional

Neste sistema o solo precisa ser preparado em duas etapas. O preparo primário consiste em operações mais profundas, normalmente realizadas com arado que visam principalmente o rompimento das camadas compactadas e eliminação e/ou enterro de cobertura vegetal. No preparo secundário, as operações são mais superficiais, utilizando-se grades ou plainas para nivelar, destorroar, destruir crostas superficiais, incorporar agroquímicos e eliminar plantas daninhas no inicio do seu desenvolvimento. Criando assim, ambientes favoráveis à germinação, emergência e desenvolvimento da cultura implantada. Convém ressaltar que todas essas atividades de intensa mecanização agrícola podem contribuir para a deformação da estrutura do solo. Neste sistema, a semeadura é realizada a lanço ou em linha.
Um aspecto importante que deve ser considerado no preparo do solo é o ponto de umidade ideal. Se o processo for realizado com umidade elevada, o solo sofre danos físicos na estrutura (compactação no lugar onde trafegam as rodas do trator) e tende a aderir (principalmente em solos argilosos) com maior força nos implementos agrícolas até o ponto de inviabilizar a operação desejada. Por outro lado, quando o preparo é feito com o solo muito seco, pode-se formar “torrões” difíceis de serem quebrados, aumentando o número de operações e, conseqüentemente, aumentará o consumo de combustível e tempo, o que encarece o processo.
Este não é um sistema muito vantajoso, pois ocorre degradação da estrutura dos solos e agressão à vida microbiana, causada pela pulverização; além do risco de ocorrerem perdas de solo pelo processo erosivo dos ventos e da água. Além de apresentar inúmeras desvantagens, como os citados anteriormente e um exagerado número de operações realizadas, necessitando grande mão-de-obra e elevando o custo.

Plantio Direto
Neste sistema o solo não precisa ser previamente preparado para receber a semente. Abre-se um pequeno sulco (ou cova) de profundidade e largura suficientes para garantir uma boa cobertura e contato da semente com o solo sendo que, não mais que 25 ou 30% da superfície do solo são movimentados. O desenvolvimento inicial do plantio direto baseia-se em três princípios: a mínima movimentação do solo, a permanente cobertura do mesmo e a prática de rotação de culturas. Esses fundamentos viabilizam o objetivo principal do plantio direto: a conservação do solo. Neste sistema também deve-se realizar o entaipamento de base larga e de perfil baixo na adequação da área para o plantio do arroz irrigado, que compreende as operações de sistematização dab superfície do solo ou aplainamento, calagem quando for necessário, e construção da infra-estrutura de irrigação, drenagem e estradas.
Este sistema apresenta boa umidade para o nascimento, menor custo de produção, racionalização do uso dos insumos, melhor uso do solo, menor necessidade de maquinário (menor custo). E se o processo for realizado de acordo com as instruções, é quase que impossível descrever alguma desvantagem.

Pré-Germinado
Este sistema caracteriza-se pela semeadura de sementes pré-germinadas em solo previamente inundado. No preparo do solo, há necessidade de formação de lama e o nivelamento e alisamento são realizados, normalmente, com o solo inundado. A primeira fase do preparo do solo visa trabalhar a camada superficial para a formação de lama, podendo ser realizada em solo seco com posterior inundação ou em solo já inundado.
As principais técnicas utilizadas nessa fase envolvem: 
*Aração em solo úmido, seguindo-se o descorçoamento sob inundação com enxada rotativa;
*Aração seguida de destorroamento com grade de disco ou enxada rotativa em solo seco, sendo a lama formada após a inundação utilizando-se a enxada rotativa;
*Uso de enxada rotativa sem aração, preferencialmente em solo inundado, repetindo-se a operação, de modo a permitir a formação de lama sem deixar restos de plantas daninhas.
Uma alternativa para a formação de lama é a utilização da roda de ferro tipo “gaiola”, que oferece maior sustentação e deixa menos rastro das rodas do trator.
A segunda fase compreende o renivelamento e o alisamento, após a formação da lama, utilizando-se pranchões de madeira, com o intuito de tornar a superfície lisa e nivelada, própria para receber a semente pré-germinada. As operações descritas nestas duas fases foram desenvolvidas principalmente para pequenas áreas.

Em áreas mais extensas, vem se buscando um sistema próprio de preparo do solo, que consiste das seguintes operações: 
1. Uma ou duas arações em solo seco;
2. Uma ou duas gradagens, para destorrar o solo, tendo-se o cuidado de não “pulverizá-lo”, para que pequenos torrões impeçam o arraste de sementes pelo vento;
3. Aplainamento e entaipamento;
4. Inundação da área com uma lâmina de, no máximo, 10 cm, mantendo-a por, no mínimo, 15 dias antes da semeadura, para controlar o arroz vermelho;
5. Alisamento com pranchões de madeira;
6. Semeadura das sementes pré-germinadas;
Transplante de Mudas: este método tem como principal objetivo a obtenção de sementes de alta qualidade. Para se conseguir alta pureza varietal, o “roguing” é prática fundamental e é facilitado neste sistema devido ao transplante de mudas, que é realizado em linhas.

O sistema divide-se em duas partes:

Produção de mudas
As mudas são produzidas em caixas, com fundo perfurado, com as seguintes dimensões: 60 cm de comprimento x 30 cm de largura x 5 cm de altura (as medidas de largura e comprimento das caixas, poderão variar de acordo com o tipo de transplantadeira). O solo a ser utilizado deve ser, preferencialmente, de textura franco arenosa, baixo teor de matéria orgânica e livre de sementes nocivas. Após peneirado, em malha de 5 mm, o solo é colocado nas caixas numa espessura de 2,5 cm. São semeadas em torno de 300 g de sementes pré-germinadas por caixa e cobertas com 1 cm de solo. Após a semeadura, as caixas são irrigadas abundantemente, empilhadas e cobertas com lona plástica por 2-4 dias, até a emergência das plântulas (esta fase é variável em função da temperatura). Quando as plântulas iniciam a emergência, as caixas espalhadas em um viveiro protegido contra o ataque de pássaros e ratos são irrigadas diariamente, até a fase de duas folhas (12-18 dias). Caso haja ocorrência de doenças nas plântulas, estas devem ser controladas com a aplicação de fungicidas específicos.

Transplantio
O transplante é feito quando as mudas alcançam 10-12 cm de altura (12-18 dias após a semeadura). No momento de transplante, as caixas devem estar com umidade adequada, para facilitar o desempenho da transplantadeira. Esta operação deve ser realizada com área previamente drenada. As transplantadeiras normalmente utilizadas possuem um sistema de regulagem que permite o plantio de 3 a 10 mudas por cova, espaçamentos de 14 a 22 cm entre covas e 30 cm entre linhas.
O rendimento médio de uma transplantadeira com 6 linhas é em torno de 3.000 metros quadrados por hora de trabalho, sendo necessárias 110-130 caixas de mudas/ha (30-40 kg de sementes/ha). A inundação permanente deve ser evitada por uns 2 ou 3 dias, até o pegamento das mudas. O preparo do solo, manejo da água, controle de plantas daninhas, de pragas e doenças é idêntico ao recomendado para o sistema pré-germinado.

 

Sementes de arroz
Semeadura das sementes pré-germinadas em caixas

 

Viveiro de mudas
Mudas prontas para serem transplantadas

 

Transplante de mudas
Mudas transplantadas

 Fonte: http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/arroz/arroz-5.php
Imagens: http://www.agrogiusti.com.br/processos.php

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