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Energia falha, produção ameaçada Produtores cobram solução para problema

Energia falha, produção ameaçada Produtores cobram solução para problema

Cultura 100% irrigada no Estado, arroz pode ter a produtividade afetada por problema na infraestrutura

U m problema que há anos atormenta produtores se agrava no verão e afeta diretamente a cultura do arroz pode reduzir a produtividade gaúcha do grão. A falta de energia ameaça diminuir em até 20%, em alguns casos, o volume colhido. Com 100% da área irrigada, a produção exige máquinas potentes para conduzir a água de rios e outras reservas até as lavouras.

Presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Estado (Federarroz), Henrique Dornelles afirma que oscilações no fornecimento de energia impactam na irrigação e causam prejuízos com queima de equipamentos e transformadores, sem contar a quebra na safra decorrente dessas questões. A metade sul do Estado, onde se concentra a maior parte do cultivo do grão, é a mais afetada.

Em Santa Vitória do Palmar, segundo maior produtor nacional de arroz, com 71 mil hectares cultivados de acordo com Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os prejuízos se acumulam. São 60 dias de constantes oscilações no abastecimento de energia, segundo a associação dos arrozeiros do município. Algumas lavouras estariam há mais de 30 dias sem água.

Na Granja do Salso, onde são cultivados 10 mil hectares, pelo menos 5% da produção está comprometida. Parte do cultivo – cerca de 30 hectares – está totalmente seca. E, se o problema persistir, as perspectivas são preocupantes, assegura o administrador Márcio Silveira, 45 anos. A expectativa inicial era colher 200 sacas por hectare. Com a carência de energia – que impede a água de chegar à lavoura –, a média foi reduzida para 180 sacas.

– Nos últimos 60 dias, já queimaram sete motores elétricos, três transformadores e mais de 20 chaves elétricas. Já gastamos R$ 215 mil em manutenção – relata o administrador.

Secretário de Agricultura de Santa Vitória do Palmar, Denilson Rodrigues avalia que as perdas só não são maiores porque choveu recentemente.

– Ainda assim, a quebra pode chegar a 20% – calcula Rodrigues.

O problema não é isolado. Falhas na distribuição também ocorrem em Uruguaiana, Alegrete, Itaqui, São Borja, Jaguarão, Capão do Leão e Pelotas.

Levantamento da Assembleia Legislativa realizado há sete anos já apontava problemas no abastecimento de energia elétrica no meio rural em todo o Rio Grande do Sul. Os dados foram obtidos a partir de queixas de consumidores, a grande maioria agricultores familiares. Em 14 de junho de 2007, uma audiência pública identificou problemas, admitidos pelas concessionárias, tais como baixa tensão e cortes sistemáticos. O serviço ineficiente dificultava o uso de eletrodomésticos, provocava queima de equipamentos, prejuízos na produção, morte de frangos em aviários. Havia ainda precariedade no serviço de atendimento ao consumidor e dificuldade em buscar ressarcimentos e compensações por serviços inadequados.

De acordo com o secretário estadual de Desenvolvimento Rural, Ivar Pavan, a demanda por energia elétrica no campo tem crescido em média 10% ao ano, e o mesmo não ocorre com os investimentos. Pavan afirma que as concessionárias se comprometeram em investir mais de R$ 1 bilhão até 2015 na melhoria da distribuição de energia no campo, o que considera um valor insuficiente.

O secretário diz ainda que foi criado um comitê, por meio da Secretaria de Infraestrutura, para cobrar das empresas uma solução e ressalta que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) já foi informada sobre o problema. Diante do impasse, a Federarroz tem cobrado soluções das entidades ligadas ao setor de energia, como a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

fernando.goettems@zerohora.com.br

FERNANDO GOETTEMS

A RELAÇÃO COM O CULTIVO DE ARROZ
Para levar água até o campo é necessário o uso de equipamentos elétricos
– Uma lavoura de 400 hectares, por exemplo, costuma utilizar motor de 150 cavalos, que consome 110 kilowatts/hora.
– Os produtores, em geral, utilizam o motor por 21 horas diárias. Nesse padrão médio, o consumo mensal é de 69,55 mil kilowatts/hora, o que corresponde ao consumo de 278 residências de dois quartos, com até quatro pessoas.
– No fim do mês, a conta média de luz desse produtor chega a R$ 7,7 mil.
– O motor que puxa água é necessário para criar uma área alagada, em que o arroz desenvolve todo seu potencial. A planta consegue sobreviver com até cerca de 10 centímetros de água no solo.
Fontes: José Ilçon Abreu, consultor de energia elétrica para produtores rurais, e Giuseppe Silveira Morroni, engenheiro agrônomo do Instituto Riograndense do Arroz (Irga).

 

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