Formação de estoques de arroz em debate na OMC
Além do risco de abrir espaço para uma queda de preços quando esses e outros estoques começarem a serem liberados no mercado, a inquietação de vários países é também com o fato de que subsídios estão sendo oferecidos acima dos limites autorizados para a formação desses estoques
Somente a Índia criou um programa de gastos adicionais de US$ 20 bilhões por ano para trigo e arroz, alegando razões de segurança alimentar. Agora, o país quer obter uma “cláusula de paz” na OMC, segundo a qual os parceiros comerciais não contestariam os subsídios que ultrapassassem os limites autorizados pela entidade para o país. Questionado por Estados Unidos, Canadá e Paquistão, os indianos disseram que sua nova “Food Security Bill” ainda não foi implementada e, por isso, não se pode falar em reflexos sobre o mercado. A Tailândia, por sua vez, tem um esquema de subsídios para arroz e para formação de estoques. Os tailandeses querem liderar os embarques globais de arroz.
O Paquistão, terceiro maior exportador do cereal, foi o primeiro a reclamar, com o argumento de que tem milhões de produtores que não recebem subsídios. Já a China, com uma enorme indústria têxtil, importa grandes volumes de algodão e armazena boa parte. Os Estados Unidos temem que os chineses possam se tornar um vendedor mais ativo de suas reservas em 2014, o que poderia afetar os embarques americanos. No Comitê de Agricultura da OMC, o Brasil também foi questionado pelos Estados Unidos sobre eventuais mudanças no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), com resposta negativa.