
Na noite desta segunda-feira (22), o senador Luiz Carlos Heinze (PP) cumpriu agenda na Associação dos Arrozeiros de Alegrete, onde foi recebido pela direção da entidade. Em sua fala, o parlamentar destacou preocupações com o futuro da agricultura no Rio Grande do Sul e fez duras críticas ao governo federal.
Segundo Heinze, o ano de 2026 deverá ser ainda mais difícil para a lavoura de soja na metade sul do estado. “Não somos interesse do atual governo”, afirmou, lembrando que o PIB gaúcho perdeu meio ano de exercício nos últimos quatro anos, conforme dados do economista Antônio da Luz, da Farsul.
O senador também retomou o debate sobre a securitização das dívidas rurais. Ele defendeu a necessidade de “rolar as dívidas e garantir a próxima safra”, mas lamentou que poucos produtores tenham conseguido acessar os programas disponíveis, devido ao que classificou como falta de entendimento do governo sobre a gravidade da situação.
Heinze avaliou que o setor enfrenta “o pior cenário já vivido pelo agro no RS”, citando fatores como clima extremo, custos elevados, desvalorização dos produtos, aumento dos pedidos de recuperação judicial e queda nas ações do Banco do Brasil. A dificuldade de acesso ao crédito, somada a juros altos e garantias já comprometidas, cria um impasse para os agricultores das lavouras de verão.
Além das questões econômicas, o senador fez críticas ao Judiciário, referindo-se ao que chamou de “ditadura da toga”. Heinze também mencionou a influência do crime organizado e comentou sobre o processo que envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro, acusado de tentativa de golpe. Para ele, houve omissão das forças de segurança, que “não agiram mesmo sabendo o que estava para acontecer”.
O encontro em Alegrete reforçou a preocupação do parlamentar com o futuro do agronegócio gaúcho e evidenciou o tom de confronto político que deve marcar os debates sobre o setor em 2026.