O preço do arroz em casca vem apresentando comportamento completamente anômalo. Em plena safra a evolução já é quase 10% em um período inferior a 30 dias. Os fundamentos de mercado ainda não mudaram, pois safra não alcançou 30% no Rio Grande do Sul, principal produtor.

Desde outubro de 2025, há mais de 6 meses, o preço do casca vem operando abaixo do mínimo estimado pelo Governo Federal.
Apesar da CONAB estar atuante no mercado de arroz desde 2024, vem equivocadamente aplicando recursos de forma ineficiente e não alinhada à uma estratégia prudente de mercado, motivo pelo qual os preços caíram sem parar desde outubro de 2024.
Com juros impraticáveis para agricultura, ruptura financeira dos atores e consequente abalo de crédito, custos de produção em elevação, inexistente investimento em infraestrutura (inclusive produção de diesel) e falta de liquidez, a área de plantio diminuiu.

O mercado passou a subir em plena safra, assim que o produtor, especialmente aquele mais vulnerável, percebeu que além do inevitável prejuízo inicialmente calculado, iria amargar parcela a maior devido a redução da produtividade.
Com espírito natural de perpetuação, passou a não realizar prejuízo e assumiu os riscos do mercado financeiro, “melhor quebrar com produto do que sem ele”.

Pressionando negativamente a cadeia inteira está o varejo, com preços impraticáveis nas gôndolas, ofertando produto fora de tipo, lesando diretamente os dois extremos da corrente, produtor e consumidor.

O Ministério da Agricultura deixou de ser a casa do produtor rural por questões puramente ideológicas e revanchistas. A CONAB foi desvinculada desse dificultando ainda mais a fraca aplicação da denominada Política Agrícola. Profissionais não habilitados foram alçados à cargos estratégicos, já comprometendo uma história sólida de sucesso e compromisso com a agricultura competitiva, sem prejuízo aos aspectos cíclicos.

A percepção de que somente abrir novos mercados poderia sobrepor à fragilidade criada mostrou-se simplista e errática.
Diante da crise que o mundo ainda irá enfrentar, devido a atual guerra bélica e econômica, inclusive em relação às barreiras fitossanitárias da China, subjugar o maior e mais importante Ministério do Brasil não é somente brincar com a fome no mundo, até porque o brasileiro não enfrenta o que alguns vários povos passam, mas é limitar o desenvolvimento econômico regional do Brasil Rural, em especial, aqueles ligados historicamente à produção de arroz.

A guerra é no Oriente Médio, e o Brasil é o maior consumidor e produtor ocidental. Diesel já falta nas lavouras, enquanto nossos competidores como Argentina, Uruguai e Paraguai colhem normalmente a safra.

Avestruz não voa!

Henrique Osório Dornelles
Presidente da Câmara Nacional do Arroz

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