Durante a 16ª Semana Arrozeira de Alegrete, Domingos Velho Lopes, vice-presidente da Farsul, abordou os “Compromissos e Oportunidades para o Desenvolvimento Sustentável do Bioma Pampa”. Ele destacou a importância de o Brasil adotar uma postura mais proativa na pauta ambiental, especialmente no agronegócio, onde já é um exemplo mundial em agricultura de baixa emissão de carbono.

O Agronegócio Brasileiro no Cenário Global
Domingos Velho Lopes enfatizou que o Brasil precisa se posicionar de forma mais assertiva no cenário internacional.
Segundo ele, o país, que se tornou um exportador líquido de alimentos em 28 anos e alimenta 900 milhões de pessoas, tem a capacidade de suprir até 2 bilhões de indivíduos, bancando a segurança alimentar mundial. A Farsul tem levado “a ciência e a verdade” ao judiciário para combater narrativas ideológicas e equivocadas sobre o agronegócio brasileiro, especialmente no Bioma Pampa.
Ele criticou a visão distorcida que o exterior e parte da população urbana têm sobre a produção agrícola brasileira, frequentemente confundindo questões pontuais da Amazônia com a realidade de todo o país. Domingos ressaltou que concorrentes e entidades ideológicas propagam essas narrativas, e é crucial que o Brasil ocupe esses espaços com informações técnicas e verídicas.
Sustentabilidade e Resiliência do Agro Gaúcho.
O vice-presidente da Farsul afirmou que o Rio Grande do Sul se destaca como o estado mais sustentável e resiliente do Brasil, contando com 35 cadeias produtivas. Ele mencionou diversas práticas de agricultura de baixo carbono adotadas no estado, como:
* Recuperação de pastagens degradadas
* Plantio direto
* Sistemas irrigados
* Florestas plantadas
* Bioinsumos
* Tratamento de dejetos de animais
* Abates em terminação intensiva
Esses modelos são reconhecidos e recomendados em Conferências das Partes (COPs) internacionais, demonstrando o potencial brasileiro para sequestro de carbono. Domingos Velho Lopes também pontuou a importância de o Brasil e o Mercosul, sob a liderança brasileira, serem os únicos capazes de aumentar área e produtividade para atender à crescente demanda global por alimentos.
Avanços na Legislação e Gestão Ambiental
O palestrante também destacou avanços importantes na legislação e gestão ambiental no Rio Grande do Sul:
* Novo Código Ambiental: O conceito de Bioma Pampa foi definido, e houve um alinhamento dos dispositivos referentes às unidades de conservação.
* Prazos de Licenças Ambientais: O prazo de validade das licenças ambientais foi estendido de 5 para 10 anos.
* Grupo de Trabalho para Reservação de Água: Foi criado um grupo de trabalho para alinhar a questão da reservação de água. Há uma súmula que garante ao produtor, mediante Responsabilidade Técnica (RT), a declaração se as áreas hídricas são perenes ou intermitentes, o que antes era prerrogativa exclusiva do mapa hídrico do exército.
Domingos Velho Lopes enfatizou a necessidade de excelência na gestão ambiental e de o produtor estar ciente de todas as ações tomadas por técnicos e consultores, não apenas junto à FEPAM. Ele também mencionou a importância das Inteligências Artificiais (IAs), fazendo uma analogia com a necessidade de o setor estar atento a essa pauta, assim como com o meio ambiente.