Os produtores de arroz do Rio Grande do Sul enfrentam um dos momentos mais difíceis dos últimos anos. Com um grande volume de arroz estocado e preços caindo sem parar, a Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) está agindo rapidamente para evitar um colapso no setor.
A entidade busca apoio de bancos, governo federal e estadual para garantir que os produtores consigam se manter.
O Brasil tem um excedente de 14,2 milhões de toneladas de arroz, bem mais do que a demanda anual de 12,2 milhões de toneladas. Isso significa que há muito arroz disponível e os preços estão baixos. Vários fatores contribuem para essa situação: a área plantada aumentou, a produção por hectare melhorou, a demanda interna está fraca, as exportações não estão indo bem e os preços no mercado internacional também caíram.
Na região da Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, por exemplo, o preço pago pela saca de arroz está entre R$ 60,00 e R$ 65,00, enquanto os produtores precisam de mais de R$ 70,00 para cobrir os custos. Em maio, o preço médio estadual foi de R$ 73,20, uma queda significativa em relação ao ano passado.
Ações da Federarroz
A Federarroz está negociando com bancos como Banrisul, Banco do Brasil e Sicredi para que os produtores possam atrasar ou parcelar os pagamentos de seus financiamentos. O objetivo é dar um fôlego financeiro aos produtores e evitar que eles sejam forçados a vender o arroz por preços muito baixos em junho e julho.
O Banrisul já sinalizou positivamente para essa medida. Alexandre Velho, presidente da Federarroz, destacou a urgência: “É necessário estancar a queda de preços no mercado. Os valores atualmente praticados inviabilizam a produção.”
Além disso, a entidade se reuniu nesta quarta-feira (4 de junho) com o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, e o subsecretário da Fazenda Estadual. Eles apresentaram pedidos de medidas tributárias emergenciais.
O governo estadual demonstrou sensibilidade à situação, reconhecendo que os preços atuais não cobrem os custos de produção e que os arrozeiros também sofreram com problemas climáticos nas últimas safras.
A Federarroz também levará a pauta para Brasília na próxima semana, com reuniões agendadas com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) na sexta-feira (6 de junho), buscando soluções em nível federal. A entidade mantém um diálogo constante com associações regionais e oferece orientação técnica aos produtores.
Todas essas ações visam garantir a sustentabilidade da produção de arroz e aliviar a forte pressão que os produtores vêm enfrentando.