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Desafios, oportunidades e estratégias de exportação em debate

A 16ª Semana Arrozeira foi palco de importantes discussões sobre o cenário e o futuro do mercado mundial de arroz. A mediação de Caio Nemitz conduziu painéis com especialistas como o colombiano Luiz Roberto Sanint e Guilherme Gadret, diretor da trading Expoente e referência em exportações de arroz.

Crise e Complexidade Global

 

 

Luiz Roberto Sanint abordou a economia global em um momento crítico, moldada por dinâmicas demográficas, políticas, tecnológicas e ambientais. Ele destacou que a pressão sobre a cadeia alimentar mundial aumentou 20 vezes desde 1950, exigindo uma produção maior na mesma área, impulsionada por inovações tecnológicas constantes.

Sanint ressaltou que, com o avanço tecnológico, o custo do tempo trabalhado vem caindo, e que a abundância não é limitada por recursos, mas sim por regulamentações, burocracia e políticas anti-crescimento.

Sanint criticou o que chamou de “esquizofrenia fundamental” da sociedade, que cria uma divisão artificial entre consumidores e ignora a complexidade das cadeias produtivas. Ele também desmascarou a falsa narrativa que tenta contrapor eficiência e ecologia.

Sobre as exportações, Sanint as classificou como ferramentas de influência e controle, cujos dados são utilizados para interesses globais. Ele citou exemplos como o USDA, FAS e USAID dos EUA, que utilizam essas informações como “armas geopolíticas”, e apontou que sanções e guerras comerciais são parte de um campo de batalha no qual a produção brasileira também sofre pressões nas exportações.

O especialista colombiano também abordou a mudança climática, que polariza o mundo, e enfatizou a necessidade de alinhar o desenvolvimento do bem-estar com o bem-estar social e ambiental. Ele apontou o desafio da descarbonização da energia renovável, mesmo com o consumo de energia em constante aumento, defendendo a necessidade de sua desoneração.

Sanint criticou a narrativa que opõe o arroz de irrigação ao de sequeiro, vendo isso como uma pressão mundial e um interesse mercadológico para impor contradições.
Por fim, Sanint mencionou que, enquanto a Revolução Verde foi baseada na genética, o momento atual exige uma relação ética dos negócios com o ambiente.

Ele afirmou que o Brasil é uma referência obrigatória na oferta de exportações impulsionadas pela demanda, destacando que o país possui a maior renda per capita do mundo na produção de grãos. Contrastando com essa realidade, a Ásia, segundo ele, possui intervenções diretas de governos para preservar os produtores locais.
Sanint encerrou sua participação abordando a guerra tarifária, que reabre o debate sobre o livre versus o justo, e o aumento do consumo de arroz nos EUA nas últimas décadas. Sua mensagem final foi um apelo para priorizar o ser humano, a liberdade e evitar regulamentações tendenciosas.

Ele vislumbra nas crises oportunidades, especialmente diante da demanda por energia pelas Inteligências Artificiais, e defendeu que a melhora só virá com apoio institucional.

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