Podcast
Minuto da Prosa

Cotação

Cotação do arroz

Previsão do tempo

Clima em alegrete

20250604_205853

Os desafios para as exportações do arroz brasileiro

Guilherme Gadret, diretor da trading Expoente e renomado especialista em exportações de arroz, ofereceu uma análise aprofundada sobre o mercado global e os desafios enfrentados pelo Brasil. Sua palestra na 16ª Semana Arrozeira trouxe à tona questões cruciais para a competitividade do grão brasileiro.

A Complexidade do Mercado e a Queda dos Preços

Gadret iniciou sua fala pontuando a ausência de uma bolsa mundial de arroz, o que dificulta o desenvolvimento de um mercado futuro devido à grande diversidade de variedades. No cenário brasileiro, a queda nos preços é um reflexo direto dessa dinâmica, com o valor do arroz caindo de R120 para a faixa de R70-R$66.

A decisão do governo brasileiro em maio de 2024 de anunciar importações, somada à excelente colheita no Brasil e no Mercosul, e à liberação das exportações pela Índia, teve um impacto direto na acentuada queda dos preços. O Brasil registrou um aumento de 20% na produção, e países vizinhos como Paraguai e Uruguai também tiveram safras maiores.

Gadret enfatizou que, embora o Brasil importe do Mercosul, o país enfrentará problemas se não conseguir escoar sua produção no mercado internacional. É crucial que 20% da produção gaúcha seja exportada para evitar um achatamento dos preços.

A projeção atual indica cerca de 2 milhões de toneladas de arroz nas mãos das indústrias, com o Paraguai sendo o principal exportador para o Brasil.

O Brasil no Cenário Global e o Perfil das Exportações

O Brasil se posiciona como o maior produtor de arroz fora da Ásia, e Gadret vislumbra a África como um mercado de grande interesse futuro. Em relação ao perfil de exportação, 50% do arroz exportado pelo Brasil em 2025 é em casca.

O desafio, segundo ele, é buscar a exportação tanto do arroz em casca quanto do beneficiado. Atualmente, o Brasil exporta apenas 1,3 milhão de toneladas, e há a necessidade de escoar mais arroz do país neste ano.

Estratégias e Obstáculos para a Exportação
Para Gadret, é fundamental que o Brasil compreenda que “temos que vender quando o mercado quer comprar”, priorizando a qualidade dos grãos e segregando por variedade, uma estratégia bem-sucedida pelo Uruguai.

Ele lamentou as oportunidades perdidas por falta de uma consciência exportadora mais aguçada, ressaltando que o comprador, munido de estatísticas mundiais e históricas, sabe o que e quando comprar.

Um dos grandes entraves para a exportação para outros estados brasileiros é o ICMS, enquanto o arroz paraguaio chega à indústria mineira com imposto zero, criando uma desvantagem competitiva para o produto nacional.

Cenário Mundial e Perspectivas

A produção mundial de arroz cresce, assim como a população, mas o consumo está ligeiramente abaixo, gerando um excedente anual. Gadret observou que o custo do arroz no Mercosul está mais caro em todos os países. Nos EUA, o arroz mantém sua relevância, mas a produção é muito influenciada pelo clima. Embora a produção no Arkansas possa ter uma queda de 5%, a redução nos preços é um fenômeno mundial.

A volta da Índia ao mercado global foi destacada como um fator político e de grande impacto, com o país sendo “bem agressivo” nas vendas.

Gadret finalizou sua apresentação com considerações sobre os conflitos entre Índia e Paquistão, as tarifas impostas por Trump, a relação entre rentabilidade e juros, o tamanho do mercado para o arroz longo fino, e o impacto dos leilões governamentais no cenário do arroz.

Federarroz alerta que novas regras do piso mínimo de ...
Federarroz celebra aprovação do uso da Taxa CDO para ...
Audiência aponta uso da CDO como subvenção para enfre...
© 2025 - Associação dos Arrozeiros de Alegrete - Todos os direitos Reservados