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Os desafios para as exportações do arroz brasileiro

Guilherme Gadret, diretor da trading Expoente e renomado especialista em exportações de arroz, ofereceu uma análise aprofundada sobre o mercado global e os desafios enfrentados pelo Brasil. Sua palestra na 16ª Semana Arrozeira trouxe à tona questões cruciais para a competitividade do grão brasileiro.

A Complexidade do Mercado e a Queda dos Preços

Gadret iniciou sua fala pontuando a ausência de uma bolsa mundial de arroz, o que dificulta o desenvolvimento de um mercado futuro devido à grande diversidade de variedades. No cenário brasileiro, a queda nos preços é um reflexo direto dessa dinâmica, com o valor do arroz caindo de R120 para a faixa de R70-R$66.

A decisão do governo brasileiro em maio de 2024 de anunciar importações, somada à excelente colheita no Brasil e no Mercosul, e à liberação das exportações pela Índia, teve um impacto direto na acentuada queda dos preços. O Brasil registrou um aumento de 20% na produção, e países vizinhos como Paraguai e Uruguai também tiveram safras maiores.

Gadret enfatizou que, embora o Brasil importe do Mercosul, o país enfrentará problemas se não conseguir escoar sua produção no mercado internacional. É crucial que 20% da produção gaúcha seja exportada para evitar um achatamento dos preços.

A projeção atual indica cerca de 2 milhões de toneladas de arroz nas mãos das indústrias, com o Paraguai sendo o principal exportador para o Brasil.

O Brasil no Cenário Global e o Perfil das Exportações

O Brasil se posiciona como o maior produtor de arroz fora da Ásia, e Gadret vislumbra a África como um mercado de grande interesse futuro. Em relação ao perfil de exportação, 50% do arroz exportado pelo Brasil em 2025 é em casca.

O desafio, segundo ele, é buscar a exportação tanto do arroz em casca quanto do beneficiado. Atualmente, o Brasil exporta apenas 1,3 milhão de toneladas, e há a necessidade de escoar mais arroz do país neste ano.

Estratégias e Obstáculos para a Exportação
Para Gadret, é fundamental que o Brasil compreenda que “temos que vender quando o mercado quer comprar”, priorizando a qualidade dos grãos e segregando por variedade, uma estratégia bem-sucedida pelo Uruguai.

Ele lamentou as oportunidades perdidas por falta de uma consciência exportadora mais aguçada, ressaltando que o comprador, munido de estatísticas mundiais e históricas, sabe o que e quando comprar.

Um dos grandes entraves para a exportação para outros estados brasileiros é o ICMS, enquanto o arroz paraguaio chega à indústria mineira com imposto zero, criando uma desvantagem competitiva para o produto nacional.

Cenário Mundial e Perspectivas

A produção mundial de arroz cresce, assim como a população, mas o consumo está ligeiramente abaixo, gerando um excedente anual. Gadret observou que o custo do arroz no Mercosul está mais caro em todos os países. Nos EUA, o arroz mantém sua relevância, mas a produção é muito influenciada pelo clima. Embora a produção no Arkansas possa ter uma queda de 5%, a redução nos preços é um fenômeno mundial.

A volta da Índia ao mercado global foi destacada como um fator político e de grande impacto, com o país sendo “bem agressivo” nas vendas.

Gadret finalizou sua apresentação com considerações sobre os conflitos entre Índia e Paquistão, as tarifas impostas por Trump, a relação entre rentabilidade e juros, o tamanho do mercado para o arroz longo fino, e o impacto dos leilões governamentais no cenário do arroz.

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