
O mercado de arroz no Brasil e na América do Sul enfrenta um momento de grande pressão, caracterizado pela superoferta e uma demanda interna estagnada. As discussões recentes entre a Federarroz e a Safras & Mercados, em painéis online, destacaram os desafios atuais, as oportunidades de exportação e as perspectivas para o próximo ano.
Cenário Atual e Pressão sobre os Preços
Segundo o presidente da Federarroz, Denis Dias Nunes, o mercado vive uma forte pressão nos preços devido ao aumento das áreas plantadas em escala mundial.
Já o analista de Safras&Mercados, Evandro Oliveira, ressaltou que a quantidade de vendedores é maior que a de compradores, tornando crucial a organização dos produtores em grupos para fortalecer as negociações.
A estabilidade dos preços é um desafio, especialmente com a cotação no porto a R$ 73/saca, enquanto os custos de plantio em estados como Mato Grosso e Tocantins chegam a R$ 100/saca, esmagando a rentabilidade do produtor.
O palestrante de Safras & Mercados confirmou a “estabilidade relativa” do mercado. Embora as exportações de julho tenham sido boas, o desafio é manter esse ritmo pelo resto do ano. A indústria adota uma postura de espera e realiza compras de forma seletiva, contribuindo para a falta de liquidez no mercado.
Redução na Produção e o Desafio da Demanda
Uma das respostas à baixa rentabilidade foi a redução de 11% na produção nacional, concentrada principalmente nas áreas de sequeiro. No entanto, mesmo com essa queda, o consumo interno não reage.
O painel destacou que o consumidor tem sido beneficiado por preços mais baixos, mas o consumo de produtos como arroz, feijão e massas continua em retração. A mudança no perfil das famílias, que hoje são menores, é apontada como um fator que exige uma adaptação do mercado para que o setor possa se recuperar.
Oportunidades de Exportação e Concorrência
Apesar dos desafios internos, o painel destacou as oportunidades no mercado externo. O dólar elevado pode ser um fator favorável para as exportações, e a alta qualidade do arroz brasileiro é uma vantagem competitiva. O Brasil já tem um superávit de 100 mil toneladas, mas enfrentou dificuldades no escoamento dessa produção.
A concorrência, no entanto, é acirrada. O painel apontou que os Estados Unidos têm uma vantagem geográfica para abastecer o México e que sua próxima safra, prevista para setembro, está com boas expectativas de colheita. O Paraguai também foi citado como um concorrente forte, com custos de produção que são quase a metade dos custos brasileiros, o que lhe permite entrar com força no mercado interno do Brasil, principalmente com o arroz em casca.
O painel alertou que é preciso monitorar de perto os estoques do Mercosul para o próximo ano, já que o Brasil tem importado cerca de 15% a mais de arroz em casca da região.
Caminhos para o Futuro do Setor
Para evitar que a crise se estenda para 2026, o painel sugeriu algumas ações estratégicas:
* Aproveitar as exportações para aliviar a pressão dos estoques internos.
* Ampliar campanhas de consumo para estimular a demanda interna por arroz.
* Explorar novos derivados do arroz, como os biocombustíveis, para diversificar o mercado e agregar valor ao produto.
* Tornar o arroz beneficiado mais competitivo no mercado.
* Aproveitar os bons embarques de arroz quebrado para o mercado africano.
O mercado de arroz, portanto, se encontra em um momento crucial. A rentabilidade pressionada exige que produtores, indústria e governo trabalhem em conjunto para buscar soluções, seja através da exportação, da redução de custos ou do estímulo ao consumo. A valorização do dólar pode ser um aliado, mas a concorrência regional e a falta de demanda interna continuam sendo os principais desafios a serem superados.