Especialista aponta tendências para o clima no Rio Grande do Sul
O painel Projeção Climática para 2025/26, mediado por Lucas Predebom, reuniu análises da meteorologista Estael Elisabete Kems Sias, sócia da Metsul, sobre os desafios climáticos do próximo período.
Filha de produtor rural, Sias destacou que sua escolha pela meteorologia veio do desejo de atuar em um campo ligado ao agronegócio. “No Rio Grande do Sul, às vezes temos quatro climas no mesmo dia”, comentou, ressaltando a complexidade das variações climáticas no estado.
Reflexões sobre eventos climáticos extremos
A especialista foi questionada sobre se 2025 teria impactos climáticos semelhantes aos de 2024, quando Porto Alegre e o Vale do Taquari enfrentaram uma das maiores tragédias ambientais da história. “O episódio é muito difícil de se repetir”, afirmou Sias, explicando que desde 1990 os eventos climáticos têm se tornado mais severos.
Em 2024, a região testemunhou uma verdadeira “tempestade perfeita”, com chuvas ultrapassando 1.000 mm em poucos dias em Caxias do Sul, provocando enchentes severas nos vales e no Guaíba. O fenômeno foi resultado de uma combinação rara de fatores: bolhas de calor no Caribe e no Brasil, influência do El Niño, massas de ar gelado intensas e alta umidade nos oceanos, além da atividade do Índice Antártico.
O que esperar para os próximos meses?
Sias explicou que o clima segue ciclos e há períodos mais favoráveis tanto ao El Niño quanto à La Niña. Atualmente, a região está saindo de uma fase de secas constantes e entrando em um período de neutralidade climática.
Segundo modelos matemáticos, a partir da primavera o cenário pode se definir entre neutralidade ou La Niña, com possibilidade de uma versão curta do fenômeno. Caso isso ocorra, um novo El Niño só seria esperado no outono de 2026.
Os modelos apontam que a segunda quinzena de junho será mais úmida, enquanto julho deverá manter a normalidade. Até agosto, a projeção é de chuvas dentro da média, sem risco de escassez.
No trimestre entre setembro e novembro, há previsão de chuvas abaixo da média, mas ainda em níveis administráveis. O modelo europeu sugere que novembro pode apresentar menos precipitações, embora sempre haja margem para alterações climáticas inesperadas.
Quanto às temperaturas, o clima poderá registrar dias amenos, com risco de geadas curtas, conforme projeções dos modelos europeu e americano.
Diante desse cenário, meteorologistas reforçam a importância do monitoramento contínuo e da adaptação às condições climáticas em constante mudança no Rio Grande do Sul. Afinal, como bem destacado no painel: “Aqui no RS, tudo pode mudar”.