
A abertura da 17ª Semana Arrozeira de Alegrete reuniu cerca de 600 pessoas na noite desta segunda-feira, consolidando o evento como um dos principais fóruns de discussão do agronegócio gaúcho. Produtores rurais, lideranças políticas, empresários e representantes de entidades participaram do painel de abertura, marcado por debates sobre a grave crise enfrentada pela cadeia produtiva do arroz, reconstrução econômica e superação de adversidades.

O presidente da Associação dos Arrozeiros de Alegrete (AAA), Vítor Pontes, destacou a importância das parcerias institucionais para a realização do evento. Em sua manifestação, agradeceu ao Sindicato Rural de Alegrete pela cessão do espaço e ressaltou a integração com o Centro Empresarial de Alegrete como estratégia para fortalecer o desenvolvimento local.
Segundo Pontes, a união das entidades tem sido fundamental para garantir credibilidade junto aos patrocinadores e ampliar o alcance das ações da associação. Ele também enfatizou a diversidade da programação, que contempla debates sobre tecnologia, mercado, educação, política e o protagonismo feminino no agronegócio.
O dirigente aproveitou a ocasião para fazer um alerta sobre a situação econômica dos produtores de arroz. “Estamos enfrentando a pior crise da história do setor. O prejuízo médio chega a R$ 20 por saca e está cada vez mais difícil permanecer na atividade”, afirmou.

Também ocuparam a tribuna o vereador Leandro Meneghetti, representando a Câmara Municipal, o deputado estadual Afonso Hamm e o prefeito Jesse Trindade. O parlamentar voltou a defender medidas emergenciais para os produtores atingidos por eventos climáticos extremos e a utilização de recursos oriundos do pré-sal para alongamento das dívidas rurais.
“Quem vai querer permanecer na lavoura com o arroz valendo R$ 58 e o custo de produção acima de R$ 75 por saca?”, questionou Hamm.

Já o prefeito destacou investimentos municipais na manutenção das estradas rurais e a participação da Prefeitura no evento, reforçando o compromisso com a logística e o desenvolvimento do setor produtivo.

O painel principal da noite foi mediado pelo vice-presidente da AAA, Lucas Di Nápoli, e trouxe relatos inspiradores sobre reconstrução e resiliência.

O empresário Angelo Fontana, liderança regional do Vale do Taquari e vice-presidente da FIERGS, compartilhou a experiência da mobilização que permitiu reconstruir comunidades devastadas pelas enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2023 e 2024.

Encerrando a programação, o ex-presidente da Associação dos Arrozeiros, Cleomar Ereno, emocionou o público ao relatar sua trajetória de falência, recomeço e transformação pessoal. Em uma fala marcada por reflexões sobre propósito, espiritualidade e superação, Ereno destacou a importância do apoio familiar e comunitário na reconstrução de sua vida. O momento foi complementado por uma participação on-line do empresário e influenciador Pablo Marçal.
A abertura da 17ª Semana Arrozeira demonstrou que, além dos desafios econômicos, o setor busca construir caminhos coletivos para enfrentar adversidades, fortalecer a produção e preservar uma atividade que movimenta a economia de Alegrete e de toda a Fronteira Oeste.
A CRISE DO ARROZ EM NÚMEROS
• Produtores relatam prejuízo médio de R$ 20 por saca comercializada.
• O custo de produção supera os R$ 75 por saca em diversas propriedades.
• O preço recebido pelo produtor gira em torno de R$ 58 por saca.
• Entidades defendem medidas emergenciais para evitar o abandono da atividade.
• Setor busca alongamento das dívidas rurais para até 10 anos.
• Recursos do pré-sal são apontados como alternativa para socorro financeiro.
• Eventos climáticos extremos agravaram a situação econômica dos produtores.
• Alegrete está entre os maiores municípios produtores de arroz do Brasil.
• A cadeia produtiva gera milhares de empregos diretos e indiretos.
• Lideranças alertam para impactos na economia regional caso a crise persista.
• O tema dominou os debates da abertura da Semana Arrozeira.
• A preocupação é compartilhada por produtores de todo o Rio Grande do Sul.
• Entidades pressionam por respostas mais rápidas dos governos.
• A rentabilidade negativa ameaça a sustentabilidade da atividade.
• O futuro da produção de arroz foi o principal tema da noite.BOX 2 | LIÇÕES DE RESILIÊNCIA E RECONSTRUÇÃO
• Angelo Fontana relatou a reconstrução do Vale do Taquari após as enchentes.
• A região sofreu uma das maiores tragédias climáticas da história gaúcha.
• Empresas privadas se uniram para financiar obras emergenciais.
• Pontes, estradas e galerias foram reconstruídas em tempo recorde.
• A articulação entre iniciativa privada e comunidade foi decisiva.
• Fontana perdeu uma fábrica avaliada em dezenas de milhões de reais.
• Mesmo diante das perdas, liderou ações coletivas de recuperação.
• Cleomar Ereno compartilhou sua trajetória de falência e recomeço.
• O produtor destacou a importância da família e dos mentores.
• A palestra trouxe reflexões sobre propósito e desenvolvimento humano.
• O público acompanhou momentos de forte emoção.
• A participação de Pablo Marçal ocorreu de forma virtual.
• O debate destacou que crises também podem gerar transformação.
• A união comunitária apareceu como principal ferramenta de superação.
• A mensagem central foi clara: reconstruir é possível quando ninguém caminha sozinho.