Hoje é Dia do Agricultor — e talvez poucas profissões mereçam tanto respeito quanto aquela que começa antes do sol nascer.
É no campo que a segurança alimentar deixa de ser discurso e vira arroz, feijão, leite, carne, frutas, verduras e pão sobre a mesa.
O agricultor não produz apenas comida: produz saúde, porque alimentos de qualidade também são instrumentos de uma vida mais longa e saudável.
Produz renda, sustenta famílias, movimenta comunidades e mantém vivos os laços que fazem uma sociedade permanecer de pé.
Em torno da produção rural nascem empregos, negócios, cooperativas, transportes, indústrias e serviços.
Da pequena propriedade à grande lavoura, o campo faz girar a roda da micro, da média e da macroeconomia brasileira.
Há também uma cultura invisível nesse trabalho: a disciplina de plantar hoje aquilo que somente amanhã poderá ser colhido.
É uma escola de paciência, responsabilidade, solidariedade e respeito pelos ciclos da natureza.
Mas o agricultor brasileiro tem sido, muitas vezes, tratado como se sua resistência fosse infinita.
Enfrenta políticas públicas desastradas, burocracia, custos elevados, insegurança de mercado e dificuldades para acessar garantias compatíveis com seus riscos.
E, quando o clima extremo chega, a conta da estiagem, da enchente, do granizo ou da tempestade quase sempre chega primeiro ao produtor.
O paradoxo é cruel: cobra-se do campo alimento abundante, preço acessível e sustentabilidade, mas nem sempre se oferece segurança para produzir.
Pior: parcelas do mundo urbano passaram a enxergar o agricultor através de uma lente distorcida, muitas vezes contaminada por preconceitos ideológicos.
Como se quem planta fosse adversário de quem consome; como se produção e preservação fossem inimigas naturais.
É uma visão pequena para um país gigantesco, que depende do campo para alimentar seus filhos e movimentar sua economia.
O agricultor não pede reverência: pede respeito, previsibilidade, crédito, infraestrutura, seguro e políticas públicas que compreendam a realidade da terra.
Porque quando o campo prospera, a cidade também come, trabalha, vende, arrecada, cresce e sonha.
Neste Dia do Agricultor, portanto, a homenagem mais justa talvez seja simples: lembrar que, antes de qualquer prato chegar à nossa mesa, alguém precisou plantar o amanhã.