O preço do arroz apresentou reação nas últimas semanas, mas ainda não é suficiente para recuperar as perdas acumuladas pelos produtores nas últimas safras.
A avaliação é do engenheiro agrônomo Lucas Predebom, diretor de Exportações da Associação dos Arrozeiros de Alegrete, em entrevista à Rádio Minuano.
Segundo Predebom, o setor enfrenta dificuldades há pelo menos dois anos, com queda no valor recebido pela produção e aumento dos custos da lavoura.
Apesar da recuperação da cotação, o preço ainda está abaixo do custo médio de produção, estimado entre R$ 70 e R$ 75 por saca.
O cenário é agravado pelo fato de que cerca de metade da safra já foi comercializada por valores inferiores.
Com isso, a alta registrada agora não consegue compensar os prejuízos acumulados anteriormente.
O produtor também precisa planejar a próxima safra enquanto ainda enfrenta contas pendentes e novos investimentos.
Entre os principais gastos estão sementes, fertilizantes, defensivos, preparo do solo e combustível.
Predebom destacou ainda o aumento dos custos com óleo diesel e energia elétrica.
A dificuldade financeira do campo ultrapassa as propriedades rurais e afeta a economia regional.
Com menor renda circulando no setor produtivo, comércio e prestação de serviços também podem sentir os efeitos.
Para a próxima safra, o planejamento permanece condicionado à instabilidade do mercado e aos conflitos internacionais.
A previsão de El Niño é outro fator considerado pelos produtores na definição da área a ser cultivada.
O cenário mostra que a reação do preço do arroz traz algum alívio, mas ainda não representa recuperação para quem produz.
Para o produtor, o desafio permanece: equilibrar custos, mercado e condições climáticas para viabilizar a próxima safra.